Ingenuamente, acabei achando que me despedir daquelas pessoas que passaram dois anos ou até menos comigo, fosse fácil. Enganei-me por completo. Foi mais que difícil, quase uma das piores coisas que já fiz até hoje. Vi na minha frente a tristeza, vi todos aqueles que mais amei nos últimos anos chorando e o motivo daquelas lágrimas era a minha ida para quilômetros de distância. Me senti triste por fazê-los sofrer e por estar sofrendo mais ainda.
Minhas amigas, aquelas que estiveram (quase) sempre comigo. As que riram comigo e achei que não seria necessário que elas chorassem comigo, pelo menos não tão cedo. Foi uma ida imatura. Queria muito que eu pudesse ter ficado mais um tempo junto a elas. Eu sei que uma amizade verdadeira nem sequer o tempo destrói, mas o tempo acaba fazendo com que ela se enfraqueça. Não quero isso, mas não mando nos acontecimentos inevitáveis da vida.
Quando vi a pessoa que ficou comigo por nada mais, nada menos que dez meses e três dias, enchendo os olhos de lágrimas ao me ver chorar foi torturante. Não queria ter causado tristeza, não queria ir embora, não queria deixar o meu amor. “Meu” amor. Alguém que nunca vou esquecer, marcou tanto a minha vida. Meu primeiro em tudo ou talvez quase tudo. Como preferirem. Me sinto fraca com a certeza de que agora são milhas que nos separam e não apenas três quadras.
O último abraço, o último sorriso, o último beijo, a última noite. Coisas que eu não vou esquecer, assim como o primeiro abraço, o primeiro sorriso, o primeiro beijo, a primeira noite. Nem mesmo se eu quisesse, se eu me esforçasse muito, conseguiria esquecer. São coisas que marcam a vida de qualquer pessoa. Eu agradeço por cada coisa que aprendi com ele, por todas as brigas que me fizeram amadurecer um pouco e por ver que uma pessoa muitas vezes muda o teu dia, te deixa mais feliz e infelizmente, às vezes te deixa mais triste. E peço desculpas por às vezes ser tão birrenta e querer manter as rédeas sempre em minhas mãos; por ser tão melosa e – um pouco – problemática; por falar demais e achar que estou sempre certa. Gostaria que agora as lágrimas que escorrem pelo meu rosto fizessem com que o meu sofrimento demasiado diminuísse.
Vejo-me um pouco perdida diante de todos esses acontecimentos fortes que causaram muita dor e lágrimas nos últimos dias. Queria tanto não chorar, queria não dizer que estou sentindo falta de tudo. Não tenho como dizer isso, não tenho como mentir, não agora. Voltar no tempo poderia ser uma coisa bem útil nesse momento, só por alguns dias.
“Esse foi um beijo de despedida que se dá uma vez só na vida”