quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Não vou viver sem você


Eu percebia sua estranha forma de falar comigo. Você nunca tinha falado daquele jeito comigo. Falavas de um jeito meloso naquele dia, repetias incontidas vezes o quanto me amavas. Eu por minha vez, já estava farta de ler a mesma coisa. Saí com rapidez da nossa conversa, inventei uma desculpa e disse que precisa dormir. Na verdade nem fui dormir, fiquei sentada no chão do meu quarto, olhando pro teto e pensando se conseguiria viver sem você.

Acordei de manhã bem cedo, tomei meu café, prendi o cabelo e fui logo viver. Senti uma leve angústia, uma leve vontade de dizer o quanto eu te amo. Liguei o notebook e fui te procurar na minha lista de contato, percebi que ainda era muito cedo pra você estar acordado, então saí dali e resolvi voltar mais tarde. Você estava com o status como ocupado, te chamei e disse que te amava muito e que nada iria destruir isso, nem a morte. Angústia era o nome de tudo o que eu estava sentindo no momento, meu coração estava apertado e eu sentia algumas pontadas nele. Estava me sentindo mal, muito mal. Parecia que algo estava prestes a dar errado. Minutos depois você estava me respondendo e dizendo que me amava. Eu me sentia bem lendo aquilo. Você disse que precisava sair, pois ia beber com os seus amigos. Não gostei muito da ideia e implorei pra você se cuidar e tomar cuidado.

Eu fiquei angustiada o dia inteiro e lá pelas 18 horas desmaiei. Às 21:47 recebi a notícia de que você não estava mais entre os vivos. Implorei pra Deus tirar a minha vida naquele instante. Eu preferia morrer a ficar sem você. Eu tinha medo. Eu não sabia mais o que fazer, eu não tinha mais motivos pra viver. Meu único motivo pra viver era você. Não queria te perder, antes mesmo de te ter por perto. Nunca conseguiria ser feliz, sorrir novamente. Como eu conseguiria lidar com isso, eu não tinha capacidade de lidar com tamanha dor e com tanto sofrimento. Eu pedi para morrer, pedi e não me arrependo disso.

Durante a madrugada, eu não conseguia dormir, só sabia chorar e chorar. Berrar e dizer que não queria mais continuar nesse mundo sem você. E perguntava sem parar "por que tiraram o meu amor de mim?". Eu não merecia sofrer daquele jeito. Passei o dia inteiro chorando, não comi nada. Às 10 da manhã chegou alguma coisa pelo correio e era pra mim. Vi quem era o remetente e quase enfartei. Tremi e chorei mais ainda. Abri o pacote e vi que era a pulseira que você há tempos tinha me prometido e com ela vinha uma carta, dizendo tudo o que você sentia por mim e o quanto eu era importante pra você. Num instante eu pensei que as minhas lágrimas tinham se esgotado e que não restava mais água dentro de mim.

Alguns dias se passaram e eu não saia mais de casa. Procurei bebida e drogas. Pelo menos isso tinha o poder de me satisfazer. Tentei suicídio muitas vezes, tantas que eu até perdi a conta. Minha família resolveu me internar e eu resolvi me matar. E eu entrava no profundo corredor da morte. Não viveria sem você, de jeito algum.

De alguma maneira ainda estamos juntos. Juntos bem longe dos vivos.

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